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Autoras do Blog, as estudantes de Pedagogia:
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Cristiane Paixão S. Durigan, Maria Marta D. C. Carvalho, Naysa Helena Pereira, Patrícia Alves S. Carvalho,
Patrícia Monique S. S. Azevedo.

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quinta-feira, 30 de maio de 2013

Educadores revelam os desafios de ensinar fora da sala de aula

A educação acontece em diferentes lugares. Inclusive diante das descobertas propiciadas por uma obra de arte. Só este ano, em São Paulo, a exposição que celebrou os 60 anos da Fundação Bienal, a mostra “Em nome dos artistas” atendeu, via setor educativo, 50 mil pessoas (segundo noticiado pela Folha de S.Paulo em 5 de dezembro de 2011) – o equivalente a mais da metade do público total do evento.

Outras grandes exposições, como o Videobrasil, ocorrido em 2011 no Sesc Belém e em outros espaços, alcançou quase um terço do seu público total graças ao setor educativo (dados da própria instituição), muitos dos quais foram visitantes que vieram com suas escolas. Para conhecer os desafios profissionais da área, conversamos com as educadoras Carolina Velasquez, Cristina Walter e Valquíria Prates, todas atuantes no setor há pelo menos dez anos.

Sem um levantamento de quantos são ou uma associação que atenda às demandas da categoria, os trabalhadores do setor sabem que lidar com educação não formal em São Paulo significa, involuntariamente, militar pela estruturação na área, provando a cada dia o valor da prática educativa desenvolvida em outros espaços além da sala de aula.

Dos muitos museus e instituições culturais da cidade, são poucos os que contam com um corpo fixo de educadores, ou com um setor educativo. Num momento em que a pressa parece ser a chave-mestra dos entendimentos e da comunição vigente, tirar um tempo para si e contar também com interlocutores bem preparados e abertos para o diálogo em torno da produção de arte pode significar uma valorosa transformação nas convivências – e, onde tem transformação, tem trabalho.

Abaixo, as entrevistadas contam que trabalho é esse, as peculiaridades e as principais dificuldades da profissão.

Quais os principais campos de atuação para o educador não formal?
Museus, centros culturais e ONGs, que também têm crescido bastante em participação no mercado.

Como é o trabalho do educador para arte em museus?
A cada novo trabalho temos um curso que nos provê do conteúdo da exposição em que se vai trabalhar. É uma atividade permeada por muito estudo, portanto. Um educador não pode deixar nunca de pesquisar, estudar, realizar textos. Daí posteriormente existe o contato com o público, que é diário. 

A atuação é voltada aos interesses singulares de cada visitante, a partir dos percursos possíveis de acordo com o que cada exposição está apresentando. Transita-se pelos assuntos das exposições a partir dos interesses identificados nos próprios visitantes. Para isso, buscam-se equipes multidisciplinares, já que a atividade também o é. O que acho complicado é o formato que a profissão tem aqui no Brasil, ou em São Paulo. Trabalha-se por projeto, e dificilmente existe uma equipe fixa num determinado museu, ou centro cultural. A instabilidade é difícil, principalmente para quem está começando. É uma dificuldade posta pelo próprio mercado.

Que tipo de dificuldades enfrenta o trabalhador da área?
A primeira delas é não ter registro na carteira. Se você fica dois ou três meses sem trabalhar, entre uma exposição e outra, é necessário fazer a contribuição do INSS por conta própria, por exemplo. Fora 13º, férias, ou seja, não há nenhuma segurança. E todo mundo quer ter o mínimo de estabilidade. Isto vem de uma política que barateia o custo para as instituições, e assim ela pode trabalhar com “n” pessoas diferentes.

O que caracteriza o trabalho com a educação não formal?
Na educação não formal existe uma liberdade de criação muito grande. É um grande espaço de experimentação aplicada de diversas metodologias. Por outro lado, existe uma dificuldade muito presente para sistematizar o desenvolvimento diário conquistado na profissão, quanto às relações estabelecidas com o público ao longo das últimas décadas. Existe uma certa falta de consciência do educador como um profissional atuante. Tanto por parte dos setores mais burocráticos das instituições quanto às vezes dos próprios educadores. O conhecimento, nesta profissão, tende a ser muito segmentado, o que dificulta a apreciação dos resultados e dos objetivos consolidados.
Quem são os trabalhadores da área?
Inicialmente eram estudantes universitários, não necessariamente de licenciatura, que procuravam ou um estágio, ou um meio de subsistência financeira, ou ainda uma maneira de enriquecer seu repertório a partir da formação proporcionada pelas instituições previamente às mostras de arte – o assim chamado “período de formação”. É um mercado que reúne estilos muito diversos de prática, conforme o posicionamento de cada instituição. Muitos dos profissionais acabam tendo de se desdobrar tanto entre suas atividades acadêmicas, quanto de produção do próprio trabalho de arte, bem como no atendimento às escolas e ao público espontâneo em atividades voltadas à educação não formal.

Quais os maiores desafios para um educador da área?
Como conciliar a realização financeira com o tempo do estudo e do trabalho. São necessidades pelas quais passam os educadores que escolheram viver da sua arte – atividade simultânea adotada por muitos que trabalham também com a educação não formal. O que vem primeiro: a sua autonomia e a constituição do seu próprio saber e de sua formação, ou as demandas instituicionais a que se está atrelado? Pode ser difícil alcançar um equilíbrio quando muitas vezes é preciso lidar inclusive com a simultaneidade de empregos, acumulando jornadas de trabalho, isso em meio aos complexos deslocamentos por uma cidade como São Paulo, por exemplo.

Como é o dia a dia profissional de um educador não formal?
O educador não formal precisa sempre aprender de novo, a partir do contato com coisas que se colocam no cotidiano, tanto quanto ao repertório, bem como da metodologia para o trabalho. É uma atividade em que, mais que nunca, a forma do que se está ensinando é tão importante quanto o que está sendo ensinado. São ações repensadas em sua duração e procedimentos no transcorrer do caminho. Tem a ver, portanto, com como convocar para a aprendizagem, tema recorrente na educação não formal.

Quais as peculiaridades da prática educativa não formal?
Na educação não formal, como a gente não necessariamente está no espaço de sempre, como é o caso de uma sala de aula, a gente precisa desenvolver também maneiras diferentes de abordagem. O espaço da sala de aula já carrega décadas de pensamento sobre isso; o da educação não formal, até por ser uma coisa recente, não.

Quais os principais desafios para o trabalhador da área?
Por se trabalhar com contratos de trabalho com duração determinada, existe uma insegurança profissional e muitas vezes até financeira. Você pode estar no mercado de educação não formal com carteira assinada, benefícios, etc., mas em geral, o que acontece é que o mercado brasileiro para a área é caracterizado como um serviço, algo transitório, o que não deixa as pessoas terem a sensação de estabilidade. Para muita gente, isto pode ser muito bacana: você está sempre mudando. Por outro lado, você não consegue ter um trabalho continuado, com o mesmo grupo de pessoas. Tanto com relação aos seus pares, quanto àqueles que são os educandos. É um grande desafio. E para a instituição que promove a educação não formal também. É uma herança do neoliberalismo exarcebado nos anos 1990, no qual o lugar da cultura, que é o campo de atuação da educação não formal, é entendido como uma prestação de serviço, com oscilações e fragilidades, dependente de variáveis orçamentárias que não têm sustentabilidade própria. Isto acaba refletindo nas relações de trabalho. Todo esse contexto redunda num desafio maior, que é o de como se colocar politicamente dentro das instituições e do seu próprio trabalho, ou seja, quais concessões fazer e quais não, ou porquê este ou aquele formato de trabalho, com abertura para tal e tal público? É um trabalho em que se trata, acima de tudo, de uma formação política, inclusive do prórpio educador. Acaba sendo um jeito de responder a quais narrativas de vida se quer para si, e é quando se tem a possibilidade de descobrir que pouca coisa não está ao alcance da gente mesmo mudar.

* Publicado originalmente no site Portal Aprendiz.
(Portal Aprendiz)


Fonte: http://envolverde.com.br/educacao/entrevista-educacao/educadores-revelam-os-desafios-de-ensinar-fora-da-sala-de-aula/.

domingo, 26 de maio de 2013

É grafite ou não é?
 
Objetivo:
Discutir as relações entre a arte e o lugar em que é exposta e fazer com que os alunos experimentem ações como espectadores de arte.
 
Conteúdos: Arte contemporânea, grafite.

Tempo estimado :Três aulas.
Materiais necessários: Cópia dos textos "Grafite e Cia." e "Cidade Muda"; folha de monobloco e caneta ou lápis preto; para o varal ou mural - barbante e pregador ou papel colorido para o fundo e fita crepe; acesso à rede no laboratório de informática da escola ou cópia da entrevista dos grafiteiros gêmeos transcrita.
Desenvolvimento

Aula 1 Para iniciar as atividades, monte um mural ou varal com imagens de grafite - retiradas de revistas, jornais ou da internet - e peça que os alunos observem os materiais. Peça que pesquisem em casa outras referências e tragam na aula seguinte.

Titi Freak trabalhando em painel para a mostra De Dentro para Fora/De Fora para Dentro do Masp. Foto: Fernando Moraes
 
O grafiteiro Titi Freak trabalhando em painel para a mostra De Dentro para Fora / De Fora para Dentro no Masp (Museu de Arte de São Paulo). Foto: Fernando Moraes

Em seguida, explique à moçada o objetivo da sequência didática: aprofundar o conhecimento da turma sobre o grafite e discutir as opiniões de cada um em relação ao tema. Diga a eles que, para isto, durante as próximas aulas vão ler textos, ouvir depoimentos e escrever pequenos textos para poder debater o assunto.

Organize a turma em grupos de quatro alunos e solicite que leiam o texto abaixo, que divulga uma exposição de grafite no MASP- Museu de Arte de São Paulo. Proponha que a primeira leitura seja silenciosa e realizada individualmente. Em seguida, peça que façam uma leitura em grupo, procurando um fragmento no texto - pode ser frase - que considerem a mais importante para compreensão do que é o grafite. Peça que sublinhem o fragmento selecionado. Como o texto é muito curto, cada grupo pode escolher apenas um fragmento.

Os grupos devem eleger um escriba - que irá registrar todos os argumentos levantados ao longo da aula - e um relator - responsável por apresentar o ponto de vista do grupo à classe.
 
Grafite e Cia.
Masp se rende à arte urbana
Fernando Masini

O MASP abriu suas portas à arte que ocupa ruas, vielas e viadutos. A exposição "De dentro para fora/ De fora para dentro" promove um grupo de artistas acostumado a viver e a trabalhar a margem do mecenato.

Carlos Dias, Daniel Melim, Ramon Martins, Stephan Doitschinoff, Titi Freak formam o time comandado por Baixo Ribeiro, um dos curadores da mostra. O destaque são os seis murais inéditos que serão apagados no final da exposição.

Zezão transporta elementos de uma favela e leva seus traços azuis das galerias fluviais. Outras cem obras- entre telas, fotos e vídeos - compõem a coletiva.

Masp - hall cívico e mezanino - Av. Paulista, 1578, Bela Vista
Tel: 011-32515644. terça, quarta e sexta a domingo, das 11h às 18h e quinta até as 19h. Até 5/2/2009.
Texto retirado do Guia da Folha, 20/11/2009.
Para socializar as opiniões da turma, solicite que um aluno inicie a leitura do texto em voz alta e que cada grupo sinalize o trecho que acredita ser o mais importante.

Conforme os fragmentos forem localizados, a leitura deve ser interrompida para que o relator de cada grupo comente o trecho, tomando como base a discussão anterior. Se mais de um grupo selecionar o mesmo fragmento, peça que ambos apresentem suas justificativas e procure relacioná-las. Todos podem fazer comentários durante a leitura, de modo organizado, levantando a mão para pedir a voz. Os fragmentos e registros das discussões podem ser colocados no varal ou mural para socialização.

Aula 2 O objetivo da segunda aula é discutir as características do grafite dentro de museus e galerias e nas ruas, fora deles. Para isso, será utilizado o depoimento da dupla de grafiteiros paulistas "Osgemeos", disponível na internet. Se a escola tiver laboratório de informática, leve os alunos até lá e apresente o vídeo a eles. Caso não seja possível, transcreva a entrevista e entregue uma cópia do texto à classe.

Apresente o depoimento à turma - via internet ou por escrito. Em seguida, peça que discutam a declaração abaixo, feita por Gustavo Pandolfo, um dos gêmeos, em entrevista à revista Carta Capital: "A partir do momento em que tiramos nosso trabalho das ruas e o levamos ao museu, já não é grafite. É arte contemporânea, tridimensional".

Proponha que a turma reflita sobre o local de realização e exposição do grafite, e elaborem um texto em casa, apontando pelo menos três diferenças entre expor fora ou dentro de uma instituição cultural.

Aula 3 No início da aula, peça que os alunos leiam os textos produzidos em casa e os exponham no varal, ou mural. Em seguida, entregue a eles um texto mais longo, de Marcelo Dantas, que faz referencia à Lei Cidade Limpa - em vigor desde o 1º de janeiro de 2007.
 
Cidade Muda
 
por Marcello Dantas

Depois de mais dois anos em vigor, os paulistanos começam a ver os benefícios da Lei Cidade Limpa. Mas algo além de publicidade sumiu das ruas. A cidade parece muda. Tenho uma filha de sete anos, em fase de alfabetização. Comecei a me lembrar do quão importante foi para a minha fixação do alfabeto e o conhecimento de novas palavras a leitura contextualizada da publicidade urbana.
Eu via imagens e as relacionava com as letras. Da mesma forma, as placas dos carros foram fundamentais no meu exercício infantil de aprendizado da matemática. Hoje, fico vendo minha filha procurar algo para exercitar seu aprendizado, e a única coisa que consegue achar é uma placa de "PARE".
Entendo que São Paulo havia se tornado uma cidade sem lei nesse aspecto. Admiro muito a coragem da prefeitura de enfrentar o enorme lobby por trás da publicidade na maior metrópole do país. E, sim, é verdade que em quase toda cidade que se preza no mundo existem regras rígidas da ocupação do espaço de poluição visual. Assim deve ser. Mas nem só de limpeza vive uma cidade.
Não se pode dizer que Nova York, Paris e Londres sejam cidades descontroladamente poluídas visualmente. Sabe-se bem do poder icônico de esquinas como Times Square, Champs-Elysées e Picadilly Circus. São Paulo, uma metrópole sem grandes marcos geográficos, como o Rio, por exemplo, pode se dar ao luxo de ser uma cidade sem imagem? Sem marcos?
E a opinião pública? Eu me recordo ainda de quando, ainda bem jovem, como ativista político em Belo Horizonte, eu saía com os amigos para pichar as propagandas políticas dos candidatos a deputado da ditadura militar. Era uma arena justa: eles ocupavam o espaço público, e a gente expressava nossa voz sobre o abuso. Assim como se sabe da importância da mídia exterior de gerar o espírito de uma causa, de mexer com a percepção coletiva de forma diagonal: atingindo do mendigo ao executivo. É ainda um espaço de consciência de coletividade, que gera a sensação de que algo está acontecendo na cidade.
Como levantaremos causas comuns daqui para frente? Um desafio que talvez valesse a pena seria liberar uma esquina de São Paulo para a publicidade desenfreada. E exigir que áreas -hoje entristecidas com suas placas cegas, surdas e mudas- sejam usadas de forma criativa: para ajudar a alfabetizar, a refletir sobre o próprio espaço público ou para pensar em campanhas de mobilização da sociedade para causas relevantes.
Existe um impacto subliminar da cidade sem palavras. A verdadeira poluição visual não ocorre na paisagem exterior, mas, sim, na paisagem interior, no nosso espaço mental. Sinto, hoje, uma maior linearidade de pensamento ao transitar por São Paulo, uma concentração maior e menos dispersão causada pela publicidade. Um saldo positivo que não parecia óbvio no primeiro momento da lei.
No entanto, deve haver um ponto de equilíbrio entre a identidade, a criatividade e a limpeza visual de uma cidade muda. Talvez uma linguagem de sinais.
Marcello Dantas, 41, cria museus e exposições, entre eles o Museu da Língua Portuguesa e a mostra "Bossa na Oca", e é o colunista convidado desta semana.
Revista da folha- edição 03/05/2009 - SP em cena.
 
 
Após a leitura do texto, abra um debate para que a turma se posicione em relação à lei e ao impacto dela nas manifestações artísticas de rua, de modo que uns possam ouvir as opiniões e argumentos dos outros.

Para finalizar, proponha que os alunos escrevam uma carta para a seção da revista reservada às opiniões e respostas dos leitores em relação ao artigo, e peça que busquem, nas atividades anteriores, argumentos que justifiquem a possibilidade de manifestação e expressão visual no espaço público.

Finalizado este processo, o material pode ser editado e colocado no varal, ou mural, que será exposto fora da sala de aula para que os outros alunos da escola tenham acesso. Reserve um espaço para que esses novos expectadores também possam deixar suas opiniões.
 
Consultoria Marisa Szpigel
Coordenadora de Arte na Escola da Vila, em São Paulo.